A cannabis deixou de ser apenas um tema proibido para ocupar espaço no mercado. No entanto, a forma como esse crescimento acontece levanta uma pergunta essencial: quem realmente se beneficia desse avanço?
O setor se desenvolve sob uma lógica que favorece grandes operações, produtos importados e preços inacessíveis para a maior parte da população. Enquanto isso, o acesso à saúde segue condicionado ao poder de compra.
Antes das marcas, das embalagens sofisticadas e do discurso corporativo, existiram famílias, pacientes e coletivos que enfrentaram a criminalização para garantir tratamento, dignidade e vida. Essa história não pode ser apagada.
A regulamentação atual ainda marginaliza o cultivo nacional e limita a atuação de quem construiu esse caminho na prática, desconsiderando saberes populares, comunitários e ancestrais que sempre estiveram no centro do cuidado.
Nesse cenário, as associações de pacientes seguem sendo fundamentais. São elas que acolhem, orientam, oferecem suporte jurídico e ampliam o acesso à cannabis medicinal de forma ética e humanizada.
Entre essas iniciativas está o Instituto CuraPro, que há anos atua na linha de frente, promovendo saúde, informação e acolhimento, conectando conhecimento tradicional, ciência e cuidado integrativo. Sua atuação representa a resistência de quem nunca tratou a cannabis como mercadoria, mas como ferramenta de saúde coletiva.
Não se trata de ser contra o mercado, mas de exigir equilíbrio, responsabilidade social e justiça histórica.
Uma política pública séria e inclusiva precisa:
- Fortalecer associações e pequenos produtores.
- Reconhecer e reparar quem foi pioneiro na luta pelo direito à saúde.
- Garantir que a cannabis não se torne um privilégio restrito, mas um direito acessível.
A cannabis carrega história, resistência e vidas reais.
Que o avanço do setor não silencie quem sustentou essa caminhada quando ainda não havia lucro, apenas necessidade.
Seguir adiante também é honrar quem nunca saiu da linha de frente.